Fogo amigo

25/06/2026 14:32

A nota divulgada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, é tudo, menos um desmentido. Ao afirmar que divergências “não enfraquecem” o partido e elogiar a “coragem dos que defendem aquilo que acreditam”, Valdemar optou por não tomar partido entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. Pelo contrário: reconheceu publicamente que a crise existe e tentou administrá-la. Nos bastidores, a manifestação também tem outra leitura. Ao dizer que falará pessoalmente com ambos antes de se manifestar novamente, o dirigente admite que o conflito ultrapassou uma mera divergência eleitoral no Ceará e atingiu o coração do bolsonarismo. O trecho mais simbólico, no entanto, é aquele em que Valdemar ressalta o respeito às “convicções e aos pensamentos individuais”. A frase parece um recado tanto para Michelle, que reivindica o direito de discordar de uma aliança com Ciro Gomes, quanto para Flávio, que tenta enquadrar a madrasta em nome da unidade partidária. A verdade é que o PL se vê diante de um problema que nenhum partido gosta de enfrentar: uma guerra doméstica travada em praça pública. E, quando a disputa deixa os bastidores e vai parar nas redes sociais, o dano político já está feito. A nota de Valdemar tenta apagar o incêndio. Mas o fato de o presidente do partido precisar vir a público para pedir serenidade é, por si só, a maior prova de que o fogo amigo está longe de ser controlado. Afinal, divergências políticas são naturais. O que não é natural é um partido precisar emitir uma nota oficial para mediar uma crise entre a esposa e o filho de seu principal líder.