O currículo

24/06/2026 16:50

Dizem que, em política, ninguém conhece de verdade as pessoas que passam pelos gabinetes. Conhece-se o currículo, o cargo, a indicação. O resto, muitas vezes, só aparece quando a porta já se fechou e as luzes se acenderam. Há quem entre em um gabinete pela confiança. Outros, pelo alinhamento ideológico. E há aqueles que, tempos depois, acabam aparecendo nas páginas policiais, nos autos de processos ou em denúncias do Ministério Público. O problema é que, quando isso acontece, sempre surge a mesma explicação: “não sabíamos”, “não tínhamos conhecimento”, “não havia qualquer indício”. Curioso como, na política, a onisciência vale para os méritos e a amnésia para os problemas. A nova denúncia envolvendo um ex-assessor que passou pelo Senado e agora aparece ligado a um suposto esquema de rachadinha reacende uma velha questão de Brasília e também do Paraná: quem indica, contrata e confia em alguém não assume automaticamente a culpa pelos atos dessa pessoa, mas também não pode fingir que as escolhas políticas são apenas coincidências administrativas. No fim das contas, os cargos passam, os assessores mudam e os discursos seguem. Mas os nomes permanecem registrados nas nomeações, nas fotografias e, às vezes, nas denúncias.