A última carta de Ratinho
22/06/2026 18:12
A declaração de Rafael Greca de que ainda espera “cativar” Ratinho Junior para receber seu apoio na disputa pelo Governo do Paraná pode esconder mais do que uma simples manifestação de esperança. Ela revela, talvez, a única saída política capaz de reunificar o grupo governista diante de um cenário cada vez mais fragmentado.
Depois da saída de Guto Silva do páreo, das dificuldades enfrentadas por Sandro Alex para consolidar-se como herdeiro político do governador e da crescente autonomia de Alexandre Curi, o Palácio Iguaçu parece ter chegado a um ponto de inflexão: ou encontra uma fórmula capaz de acomodar suas principais lideranças ou corre o risco de assistir à dispersão de sua base.
Nesse contexto, uma chapa formada por Rafael Greca ao governo e Alexandre Curi na vice passa a fazer cada vez mais sentido político.
Greca agregaria densidade eleitoral, experiência administrativa e capacidade de diálogo com diferentes setores da sociedade. Curi, por sua vez, representaria a continuidade do grupo político de Ratinho Junior, manteria forte influência sobre a base municipalista construída ao longo dos anos e garantiria a participação do PSD no centro do projeto.
Mais do que uma composição eleitoral, a aliança teria potencial para pacificar as disputas internas e preservar a unidade do campo governista para além de 2026.
É claro que o desenho ainda parece improvável. Mas, na política, as soluções mais improváveis costumam ganhar força justamente quando as alternativas começam a se esgotar.
Se os demais nomes não conseguirem decolar e se Ratinho Junior quiser manter seu grupo unido e competitivo, talvez a única saída seja aquela que hoje parece menos óbvia: um acordo entre Greca e Curi. Não por acaso, o ex-prefeito de Curitiba ainda espera “cativar” o governador. Talvez saiba que, no fim das contas, ele próprio possa se transformar na última carta de Ratinho Junior.