Master na mesa

20/06/2026 10:39

Coincidência ou não, o escândalo envolvendo o Banco Master começa a produzir efeitos que ultrapassam as investigações. Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, o líder do governo Lula no Senado, senador Jaques Wagner, teria atuado para retardar a tramitação de projetos com elevado impacto fiscal justamente quando a crise envolvendo a instituição financeira ganhou novos capítulos. Entre as propostas que entraram na mira está o projeto que cria um piso nacional para médicos e cirurgiões-dentistas, com impacto estimado em R$ 7,7 bilhões. Também permanece estacionada na Câmara uma proposta de renegociação de dívidas rurais cujo custo pode alcançar R$ 140 bilhões em uma década. Nos bastidores de Brasília, a leitura é simples: em tempos de turbulência fiscal, qualquer nova despesa se torna um problema político. E o Banco Master transformou a discussão sobre responsabilidade fiscal em um tema ainda mais sensível para o governo. O episódio chama atenção porque ocorre justamente quando parlamentares ligados ao governo tentam sustentar o discurso de equilíbrio das contas públicas. Com a operação policial e o noticiário envolvendo o Master dominando o debate, propostas que ampliam gastos passam a representar um risco político adicional. No fim das contas, o caso revela uma velha máxima da política: quando surge uma crise, as prioridades mudam. E, em Brasília, não há gaveta mais rápida do que aquela destinada aos projetos que custam caro. Enquanto o escândalo do Master segue produzindo manchetes, propostas bilionárias parecem ter recebido um recado claro: aguardem a poeira baixar.