Rachadinha sem fim
20/06/2026 10:31
Enquanto a direita nacional tenta transformar o discurso anticorrupção em ativo eleitoral para 2026, um velho fantasma volta a assombrar o clã Bolsonaro. A Justiça do Rio de Janeiro aceitou denúncia do Ministério Público contra ex-assessores e o ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro, tornando-os réus por suposto envolvimento em um esquema de “rachadinha” na Câmara Municipal do Rio.
O aspecto político do caso não está apenas na decisão judicial, mas no timing. O episódio resgata um tema que acompanha o bolsonarismo há anos e que seus adversários utilizam para questionar a coerência do movimento que se apresentou ao país como símbolo do combate à corrupção. Embora Carlos Bolsonaro não esteja entre os réus desta decisão específica, o processo gira em torno de pessoas que integravam seu gabinete e de fatos relacionados à sua estrutura política.
A aceitação da denúncia também reforça uma dificuldade recorrente da oposição de direita: toda vez que o debate público se desloca para investigações envolvendo aliados ou familiares do ex-presidente, o foco sai das críticas ao governo federal e retorna para questões que o bolsonarismo preferiria deixar no passado.
No campo eleitoral, o caso tem potencial para alimentar o discurso dos adversários justamente num momento em que a direita busca reconstruir sua narrativa nacional. Afinal, quando o assunto é rachadinha, a principal dificuldade não costuma ser jurídica. É política. E, sobretudo, de imagem.
Porque, para quem fez da luta contra a corrupção uma bandeira permanente, cada nova etapa desses processos traz um custo que vai muito além dos tribunais.