Lobby patriótico

16/06/2026 18:12

A frase mais contundente do voto de Alexandre de Moraes talvez tenha ido muito além do aspecto jurídico. Ao afirmar que “não é função de deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país”, o ministro transformou uma discussão processual em um debate político de grandes proporções. O alvo foi Eduardo Bolsonaro, acusado de tentar influenciar autoridades norte-americanas em meio às investigações envolvendo seu pai. A decisão ainda será analisada pela turma, mas o recado já foi dado: para Moraes, mandato parlamentar não é salvo-conduto para atuação internacional contra instituições brasileiras. O episódio aprofunda uma disputa que há tempos deixou os autos para ocupar o campo da narrativa política. De um lado, aliados de Bolsonaro falam em perseguição e denunciam excessos do Judiciário. De outro, o STF sinaliza que pretende enquadrar qualquer tentativa de pressão externa sobre processos em andamento. Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro segue nos Estados Unidos e se consolida como uma espécie de chanceler informal do bolsonarismo internacional. O problema é que, para o Supremo, a diplomacia paralela parece estar cada vez mais próxima da linha que separa a articulação política da interferência institucional. E, quando essa linha entra no radar do STF, raramente o desfecho é tranquilo para quem está do outro lado da mesa.