Acordaram para a Celepar

13/06/2026 11:00

Há meses a Gazeta do Paraná vem acompanhando, ao lado de poucos veículos de comunicação do estado, o nebuloso processo de privatização da Celepar. Desde o início, documentos, movimentações de bastidores e decisões administrativas levantavam dúvidas sobre a condução do negócio e sobre a transparência de uma operação que pode resultar na venda de uma das mais estratégicas empresas públicas do Paraná. Agora, depois de boa parte do processo já ter sido exposta e debatida, alguns veículos que até recentemente pareciam desconhecer o que acontecia nos corredores do Palácio Iguaçu resolveram descobrir que a Celepar está à venda. Mais do que isso: perceberam que o processo pode estar cercado de questionamentos, inconsistências e possíveis vícios. A boa notícia é que nunca é tarde para o jornalismo chegar. A má notícia é que, quando alguns resolveram acordar, a privatização já avançava em velocidade de cruzeiro. Ainda assim, vale o registro. Quanto mais olhos sobre um processo dessa magnitude, melhor para o contribuinte. Resta saber como o governo receberá essa súbita ampliação do interesse da imprensa. Afinal, o governador Ratinho Junior já demonstrou que seu estilo administrativo não costuma ser muito tolerante com quem cria obstáculos, faz perguntas incômodas ou insiste em fiscalizar decisões controversas. No chamado “padrão Ratinho de governo”, cortar parece ser sempre uma solução disponível. A dúvida que fica é se, diante desse novo despertar jornalístico, os cortes continuarão restritos às estatais e aos serviços públicos ou se poderão alcançar também os cofres da comunicação oficial.