Quando a militância vira problema
11/06/2026 18:31
Jeffrey Chiquini construiu sua trajetória pública muito além dos tribunais. Nos últimos anos, tornou-se uma figura conhecida pela atuação política nas redes sociais, frequentemente utilizando linguagem provocativa, ataques a adversários e publicações destinadas mais ao embate ideológico do que ao debate jurídico.
É justamente aí que reside o problema.
A decisão da OAB do Paraná de dar andamento a um procedimento disciplinar não nasce de uma divergência política, mas de uma discussão sobre os limites da conduta profissional. Advogados têm liberdade de expressão. O que não significa liberdade para transformar a credencial profissional em salvo-conduto para qualquer manifestação.
A postagem que deu origem ao caso fazia referência à captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro e envolvia também o presidente Lula. Independentemente da posição política de cada um, o episódio reforça uma tendência cada vez mais comum: a substituição do argumento pela provocação.
O desafio para profissionais que atuam simultaneamente na advocacia e na arena política é compreender que a visibilidade traz responsabilidades adicionais. Quanto maior a exposição, maior a cobrança sobre a forma e o conteúdo das manifestações.
Nos bastidores do meio jurídico, a avaliação é que o caso pode servir como um marco importante para discutir até onde vai a atuação política de advogados em redes sociais e quando ela passa a gerar reflexos para a própria profissão.
Chiquini afirma esperar o arquivamento do processo. Tem esse direito e terá oportunidade de apresentar sua defesa. Mas o fato de a questão ter chegado à esfera disciplinar já é, por si só, um sinal de que a estratégia do confronto permanente nem sempre produz apenas curtidas, compartilhamentos e engajamento.
Às vezes, produz também consequências. E elas costumam chegar por vias oficiais.