Pra ver se engaja
11/06/2026 16:31
Há cenas que dizem mais sobre um governo do que uma centena de discursos. Segundo relato publicado pelo jornalista Karlos Kohlbach, o governador Ratinho Junior reuniu seus secretários para um almoço e fez uma cobrança peculiar: que eles passem a replicar nas redes sociais os conteúdos de Sandro Alex e Alexandre Curi.
Não se trata de uma reunião sobre estradas, saúde, educação ou segurança pública. Trata-se de engajamento digital. Trata-se de alcance. Trata-se de algoritmo.
É claro que políticos fazem política. Seria ingenuidade fingir espanto. O que chama atenção é a naturalidade com que a máquina administrativa parece ser convocada a atuar como uma espécie de central de distribuição de conteúdo para nomes que aparecem entre os mais citados na corrida sucessória de 2026.
A questão relevante não é se Sandro Alex ou Alexandre Curi têm méritos para disputar o governo. Têm o direito, como qualquer agente político. A pergunta é outra: quando secretários de Estado são chamados a funcionar como multiplicadores de publicações de determinados pré-candidatos, onde termina a comunicação institucional e onde começa a construção coordenada de um projeto eleitoral?
As redes sociais transformaram-se no novo palanque permanente da política brasileira. Quem domina a circulação de conteúdo larga na frente. E parece que o Palácio Iguaçu compreendeu isso muito bem.
Se a informação estiver correta, o episódio revela algo importante sobre a sucessão paranaense: Ratinho Junior não está apenas governando. Está organizando a vitrine dos possíveis herdeiros políticos.
E, convenhamos, quando um governador precisa pedir que seus secretários compartilhem determinados conteúdos, talvez a principal mensagem não seja a força dos pré-candidatos. Talvez seja a preocupação com o tamanho do alcance que eles têm por conta própria.
Na política, como na internet, curtidas podem ser compradas, impulsionadas ou distribuídas. Prestígio, não. Esse continua sendo um produto que não aceita compartilhamento automático.