Exonerou ou não?

08/06/2026 15:46

A história envolvendo o ex-prefeito de Goioerê Luiz Roberto Costa, o Beto Costa, ganhou mais um capítulo que levanta dúvidas sobre a transparência do governo estadual. Quando o assessor especial da Casa Civil foi alvo de uma operação do Gaeco, em maio, o Palácio Iguaçu informou à imprensa que ele havia sido exonerado tão logo tomou conhecimento da investigação. Passadas semanas, porém, os registros públicos contam outra história. Segundo informações divulgadas pelo portal Minuto Metropolitano, não há ato de exoneração publicado nos Diários Oficiais do Estado, e o Portal da Transparência indica que Beto Costa continuou recebendo normalmente seus vencimentos, inclusive com reajuste decorrente da revisão salarial concedida ao funcionalismo. Investigado por supostamente movimentar mais de R$ 21 milhões de origem ilícita, Beto Costa é um dos principais aliados políticos do deputado estadual Márcio Nunes (PSD) e ocupa espaço relevante na estrutura do governo. A divergência entre a nota oficial e os registros administrativos inevitavelmente gera questionamentos: houve exoneração de fato ou apenas um anúncio político para conter o desgaste provocado pela operação? Mais do que a situação individual do servidor, o episódio evidencia a necessidade de clareza por parte da administração pública. Quando a versão oficial não encontra respaldo nos documentos públicos, abre-se espaço para desconfiança, especulações e desgaste institucional. Afinal, em política, tão importante quanto tomar uma decisão é garantir que ela exista também no papel.