Imagina se a moda pega…
05/06/2026 09:33
A Justiça da Colômbia decidiu que a camisa da seleção nacional não pode ser apropriada por um único projeto político. O candidato presidencial Abelardo de la Espriella foi proibido de utilizá-la como símbolo de campanha sob o argumento de que o uniforme representa todos os colombianos, independentemente de ideologia, partido ou preferência eleitoral.
A decisão provocou críticas e aplausos. Mas, vista do Brasil, ela desperta uma pergunta inevitável: imagina se a moda pega?
Nos últimos anos, a camisa amarela da Seleção Brasileira deixou de ser apenas um símbolo esportivo. Foi transformada em bandeira eleitoral, uniforme de manifestações, identidade visual de grupos políticos e até marcador ideológico. O resultado é que milhões de brasileiros passaram a evitar vestir a camisa da seleção por receio de serem identificados com determinada corrente política.
É uma situação curiosa. Poucos países conseguiram transformar um símbolo nacional tão popular em objeto de disputa partidária. A bandeira nacional, o hino e a camisa da seleção deveriam ser patrimônios comuns, mas acabaram capturados pela polarização.
A decisão colombiana parte justamente dessa preocupação: impedir que um símbolo coletivo seja convertido em patrimônio exclusivo de um candidato ou grupo político. A lógica é simples. A seleção pertence ao país, não a uma campanha.
No Brasil, uma medida semelhante certamente provocaria uma guerra política instantânea. Haveria quem visse censura. Haveria quem comemorasse a tentativa de devolver neutralidade aos símbolos nacionais. O debate seria inevitável.
Mas a provocação permanece interessante: se a camisa da seleção representa todos os brasileiros, faz sentido que ela seja utilizada como marca registrada de um único projeto político?
A Justiça colombiana respondeu que não. No Brasil, essa discussão ainda está longe de chegar aos tribunais. Mas basta olhar para as ruas, para as redes sociais ou para os estádios para perceber que a pergunta continua aberta.