Sorteio seletivo

04/06/2026 12:00

A Comissão Processante contra o vereador Lórens Nogueira mal começou e já precisará passar por reforma. O vereador Mauro Bobato decidiu alegar suspeição por integrar o mesmo partido do investigado. Agora, caberá ao plenário decidir se aceita ou não o argumento. A justificativa parece razoável. Afinal, quem julga precisa manter distância suficiente para evitar qualquer dúvida sobre a imparcialidade do processo. O curioso é que essa conclusão só apareceu depois do sorteio e da instalação da comissão. Nos corredores da política, a movimentação já alimenta especulações. Há quem enxergue apenas cautela jurídica. Há quem veja uma disputa antecipada sobre os rumos da investigação. E há quem se pergunte se outros parlamentares, em situações semelhantes, adotariam o mesmo critério. Enquanto isso, a comissão que deveria investigar uma suposta rachadinha acaba se tornando notícia por discutir quem pode ou não participar da investigação. Em Curitiba, pelo visto, antes de apurar os fatos, ainda será preciso definir quem fica sentado à mesa. Afinal, em política, às vezes a disputa mais acirrada não é sobre o resultado do julgamento, mas sobre quem terá a caneta para conduzi-lo.