Democracia S.A.

04/06/2026 11:59

O Brasil acaba de reservar R$ 4,9 bilhões para financiar as eleições de 2026. É um valor tão grande que já não cabe mais em comparações simples. Enquanto gestores públicos discutem falta de recursos para hospitais, estradas, escolas e reajustes salariais, os partidos políticos seguem operando com um orçamento que muitas empresas sonhariam em ter. O PL lidera o ranking com quase R$ 882 milhões. O PT vem logo atrás, com mais de R$ 615 milhões. O União Brasil ultrapassa os R$ 526 milhões. Juntos, os três partidos vão administrar cerca de 40% de todo o dinheiro disponível. Tudo dentro da lei, é verdade. O fundo foi criado para substituir as doações empresariais e reduzir a influência do poder econômico privado. Mas há uma ironia difícil de ignorar: o dinheiro saiu das empresas para entrar diretamente na conta do contribuinte. No fim das contas, o eleitor financia campanhas de candidatos que muitas vezes sequer conhece, para depois assistir aos mesmos candidatos explicarem por que não há recursos para atender outras demandas da população. A boa notícia é que o dinheiro precisa ser prestado em contas. A má notícia é que o cidadão continua sendo o principal patrocinador de um espetáculo para o qual nunca comprou ingresso.