Sirene desligada

04/06/2026 11:56

Tem algo de simbólico quando médicos do Samu entram em greve. Afinal, são justamente eles que costumam aparecer quando tudo deu errado. Desta vez, porém, são eles que pedem socorro. Há quase um mês, segundo o Simepar, os profissionais que atendem pelo Ciruspar aguardam o cumprimento de um acordo coletivo que previa reajuste salarial. A resposta recebida é a de sempre: não há dinheiro. A direção do consórcio afirma que depende de aporte do Governo do Estado para fechar a conta. O problema é que ambulância não funciona na base da boa vontade. Nem médico trabalha de promessas. A data-base estava marcada, o acordo existia e a negociação deveria ter acontecido antes da crise chegar às ruas. O episódio também expõe uma velha fragilidade dos consórcios públicos: quando a conta aperta, ninguém sabe exatamente de quem é a responsabilidade. O consórcio aponta para o Estado. O Estado costuma apontar para os municípios. E, no meio do caminho, fica o profissional que mantém o sistema funcionando. A pergunta que sobra é simples: se falta recurso para garantir o reajuste de quem salva vidas, sobra dinheiro para quê? Porque, convenhamos, quando até o pessoal da ambulância resolve puxar o freio de mão, é sinal de que alguém perdeu o controle da direção.