Cidade sem espaço

03/06/2026 16:34

Há crises que chegam sem aviso. Outras dão sinais durante anos, mas acabam empurradas para debaixo do tapete até que se tornem impossíveis de ignorar. A situação dos cemitérios municipais de Foz do Iguaçu parece caminhar justamente por essa segunda trilha. Com apenas 15 gavetas disponíveis para novos sepultamentos e uma sequência de medidas emergenciais para abrir espaço aos mortos, a cidade se vê diante de um problema que vai muito além da administração dos cemitérios. Trata-se de uma questão de planejamento urbano, crescimento populacional e gestão pública. O alerta é preocupante. Mais de 50 mil pessoas já estão sepultadas nos cemitérios municipais e, somente na última semana, foram registradas 80 mortes na cidade. A combinação entre aumento da demanda e limitação física das áreas disponíveis expôs uma realidade que dificilmente surgiu de uma hora para outra. O desafio agora é evitar que a emergência vire rotina. Cemitérios não costumam aparecer nas campanhas eleitorais, não rendem inaugurações festivas nem fotografias para redes sociais. Mas fazem parte da infraestrutura básica de qualquer município. Quando uma cidade começa a faltar espaço para seus mortos, o problema já ultrapassou os muros dos cemitérios. É um sinal de que o poder público precisa olhar para o futuro antes que a próxima crise bata à porta. Afinal, poucas coisas são tão previsíveis quanto a necessidade de garantir dignidade no último adeus.