Cheiro de problema

01/06/2026 17:41

O projeto discutido na Câmara falava sobre o direito dos garis utilizarem banheiros e terem acesso à água durante a jornada de trabalho. O assunto parece simples. E justamente por isso chama atenção. Porque quando uma Câmara Municipal precisa debater em plenário o acesso de trabalhadores a condições mínimas de dignidade, a pergunta inevitável é: como chegamos até aqui? Durante a discussão, o vereador Edson Souza deixou escapar algo importante. Segundo ele, se o atendimento estivesse ocorrendo adequadamente, o projeto sequer seria necessário. Traduzindo do português parlamentar para o português comum: a mensagem tinha endereço. Não era um recado para os comerciantes. Não era para os vereadores. Nem para a população. Era para a empresa que presta o serviço. A coleta de lixo é um dos contratos mais visíveis e mais caros de qualquer cidade. O caminhão passa na porta de todo mundo. O serviço é diário. Os pagamentos são milionários. Por isso mesmo, a exigência também deveria ser simples: quem cuida da limpeza da cidade precisa cuidar, primeiro, das pessoas que fazem o trabalho acontecer. O debate desta segunda-feira talvez tenha revelado algo maior do que um projeto de lei. Revelou que, em Cascavel, há vereadores começando a perguntar se a coleta de lixo está recolhendo apenas resíduos ou também acumulando problemas que ninguém queria enxergar. E quando a Câmara começa a sentir cheiro de problema, normalmente é porque alguma coisa já passou do ponto.