A fisioterapia da transparência

01/06/2026 17:40

Tem pergunta que nasce pequena e termina grande. Na sessão desta segunda-feira, o vereador Edson Souza protocolou um requerimento aparentemente técnico sobre os atendimentos de fisioterapia em Cascavel. Quer saber quantas pessoas foram atendidas, quantas estão na fila, quanto tempo esperam, quanto a prefeitura paga e quem recebe pelos serviços. Parece rotina de fiscalização parlamentar. Mas quem acompanha a política sabe que esse tipo de requerimento costuma funcionar como exame de imagem: começa procurando uma dor no joelho e termina encontrando outra coisa. A curiosidade maior está justamente nas perguntas. Se está tudo funcionando bem, as respostas virão rápidas e tranquilas. Mas, se a fila estiver crescendo, se a espera estiver se alongando ou se os pagamentos não acompanharem os resultados, a discussão muda de patamar. Fisioterapia é daqueles serviços que raramente aparecem em campanha eleitoral. Não rende foto de inauguração, não gera placa de obra e dificilmente produz discurso empolgado em rede social. Só que para quem espera meses por uma sessão, a fila é tão importante quanto qualquer grande investimento anunciado pela prefeitura. Por isso, o requerimento merece atenção. Às vezes, o problema não está na resposta. Está justamente na pergunta que ninguém havia feito.