A uva azedou
30/05/2026 11:50
Durante anos, vender uma chácara nos arredores de Marialva virou quase um investimento de prateleira. Comprava-se uma área rural, dividia-se em pequenos lotes, colocava-se uma placa de venda e o negócio seguia adiante como se tudo estivesse perfeitamente regular.
Agora, pelo visto, a conta chegou.
O Instituto Água e Terra começou a apertar o cerco sobre loteamentos irregulares e as multas já estariam alcançando cifras que variam de R$ 200 mil a R$ 3,5 milhões. O mercado, que por muito tempo prosperou em uma confortável zona cinzenta, entrou em estado de alerta.
A situação tem um ingrediente interessante.
Enquanto muitos compradores acreditavam estar adquirindo apenas um pedaço de terra para lazer ou investimento, o poder público começa a lembrar que transformar áreas rurais em loteamentos não é exatamente uma atividade baseada apenas na boa vontade do vendedor.
Existe legislação. Existe licenciamento. Existe planejamento urbano.
E, principalmente, existe fiscalização.
Nos bastidores, o clima é de apreensão. Afinal, quando o IAT aparece, normalmente não está procurando compradores de fim de semana. Está procurando quem transformou irregularidade em modelo de negócios.
Em Marialva, terra conhecida pela uva, há quem esteja descobrindo que nem toda colheita termina em festa.
Algumas acabam em auto de infração.