- Quem é o cara da faixa?

28/05/2026 16:35

Tem coisa que a política não perdoa: o excesso de sinceridade. Na mesma semana em que o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, admitiu na Assembleia Legislativa que o caixa do Paraná tem limite, que “não dá para fazer tudo” e que obras sem medição até julho podem simplesmente ficar para depois, o governo desembarcou em Cascavel em clima de micareta administrativa. Teve pacote milionário. Teve plateia uniformizada. Teve celular para o alto fazendo luzinha de show sertanejo. E teve, claro, a tradicional procissão de bajuladores oficiais, incluindo gente lotada na Casa Civil, mobilizada não exatamente para discutir orçamento finito, mas para empurrar o nome do escolhido do Palácio Iguaçu. Só que o momento mais revelador da tarde não foi o anúncio. Foi a faixa. Verde fluorescente no braço. “Capitão Sandro Alex”. A imagem parecia saída de uma gincana escolar patrocinada pelo marketing político do desespero. E não era difícil entender a utilidade do acessório: transformar o candidato desconhecido em alguém minimamente identificável no meio da multidão padronizada. Porque colocar um crachá escrito “este é o candidato do governador” talvez fosse constrangedor demais até para os padrões locais. Então resolveram simplificar. Se o rosto não comunica, a braçadeira comunica. E funcionava quase como um GPS político para os presentes:“Quem é aquele ali?”“O da faixa.”“Ah… o candidato do Ratinho.” No fim, a cena acabou resumindo mais do que qualquer discurso. Enquanto o governo admite freio no caixa, acelera o marketing. Enquanto a Fazenda fala em limite, o palco fala em campanha. E enquanto o Paraná tenta entender o tamanho da conta que vem pela frente, a preocupação do entorno parece ser outra: garantir que as pessoas consigam reconhecer o candidato na foto.