Ortigara chama fala própria de “fake”
27/05/2026 16:38
Ortigara resolveu partir para o ataque. E não fez isso de forma sutil. Publicou um enorme “FAKE!” sobre as reportagens que repercutiram sua fala na Assembleia Legislativa, tentando vender a ideia de que houve distorção do que ele disse.
O problema é simples: as notícias apenas reproduziram, interpretaram e contextualizaram exatamente aquilo que o próprio secretário afirmou publicamente na audiência de metas fiscais da Alep.
Foi Norberto Ortigara quem declarou que o Paraná começou o ano com R$ 10,5 bilhões em caixa livre e já caiu para R$ 8,5 bilhões.
Foi Norberto Ortigara quem afirmou que o caixa pode terminar o ano perto de R$ 6 bilhões.
Foi Norberto Ortigara quem disse que o caixa do Estado “está perdendo por volta de R$ 500 milhões por mês”.
Foi Norberto Ortigara quem declarou, diante dos deputados, que “nem tudo cabe”.
Foi Norberto Ortigara quem afirmou que existe “um baita de um pedido rodando” dentro do governo e que o Estado não consegue transformar tudo isso em transferência voluntária.
Foi Norberto Ortigara quem explicou que obras sem medição até julho dificilmente conseguirão avançar por causa das restrições eleitorais.
E foi Norberto Ortigara quem afirmou textualmente: “O Estado tem finitude”.
Então onde está a fake news?
A repercussão não surgiu de frase inventada, montagem manipulada ou corte desonesto. Surgiu do conteúdo literal da audiência pública.
Mais do que isso: a interpretação política das falas foi reforçada pelos próprios deputados presentes.
Paulo Gomes falou em “falsa ilusão” criada nos municípios. Requião Filho apontou déficit de R$ 3,4 bilhões no quadrimestre. Arilson Chiorato alertou para o risco de acelerar investimentos enquanto a arrecadação perde força.
A audiência inteira girou em torno de uma preocupação central: o governo anunciou mais do que consegue executar no curto prazo.
E o próprio post de Ortigara acaba confirmando isso. Ao tentar se defender, o secretário escreveu que “não existe dinheiro para atender todo pedido, toda promessa e todo anúncio feito sem cobertura orçamentária”.
Ou seja: ele reafirmou exatamente aquilo que causou repercussão.
A tentativa agora parece ser menos corrigir uma suposta mentira e mais conter o desgaste político produzido pelas próprias declarações.
Porque, para prefeitos que participaram de agendas oficiais, tiraram foto com governador, divulgaram investimentos e apresentaram obras como encaminhadas, a distinção entre “pedido”, “anúncio” e “compromisso formal” simplesmente não existe na prática política.
E isso não é fake. Foi dito pelo próprio secretário da Fazenda, ao vivo, na Assembleia Legislativa do Paraná.