Guto Silva ainda manda?

27/05/2026 16:33

A nomeação de Felipe Flessak para a Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços abriu uma nova fissura dentro do núcleo político do governo Ratinho Junior e expôs que, apesar do aparente isolamento político recente, Guto Silva segue exercendo influência direta sobre decisões estratégicas do Palácio Iguaçu. Nos bastidores, a escolha de Flessak é tratada como resultado de uma queda de braço pesada entre Ratinho Junior e Guto Silva. A relação entre os dois, embora publicamente tratada de forma diplomática pelo ex-chefe da Casa Civil, teria azedado de vez quando o governador passou a sinalizar apoio político ao nome do secretário Sandro Alex como peça importante no tabuleiro sucessório de 2026, esvaziando o espaço que Guto acreditava ter para disputar o Governo do Estado. Hoje, Guto Silva virou candidato de si mesmo ao Senado. Sem apoio declarado de Ratinho Junior e fora do centro da articulação sucessória, a tendência natural seria imaginar uma perda de força política. Mas a nomeação de Felipe Flessak mostra justamente o contrário. Ligado a Guto Silva desde o início da trajetória política do ex-chefe da Casa Civil, Flessak sempre orbitou em cargos de confiança, diretorias, conselhos e funções de assessoramento vinculadas ao grupo político gutista. Nunca construiu carreira independente dentro da estrutura estadual. Além da relação política histórica, há ainda vínculos familiares indiretos com o núcleo da família da esposa de Guto Silva, o que reforça a leitura interna de que Felipe é tratado como um dos homens mais próximos do deputado licenciado. A pouca idade e a limitada experiência administrativa em cargos de grande envergadura chegaram a gerar resistência dentro do governo. Ainda assim, Guto conseguiu emplacar o nome. E foi justamente aí que a crise explodiu. A saída do presidente da Invest Paraná passou a ser associada diretamente ao desgaste provocado pela nomeação de Flessak. Contrariado com a decisão e com a perda de espaço dentro da estrutura de desenvolvimento econômico do Estado, o então presidente optou por deixar o cargo, aprofundando o mal-estar interno. O episódio levantou uma pergunta que voltou a circular com força nos corredores do Centro Cívico: afinal, mesmo escanteado do projeto principal de Ratinho Junior para 2026, Guto Silva continua mandando no Paraná? A dúvida ganhou ainda mais peso porque o episódio resgata uma velha sombra que acompanha o entorno político do deputado desde o caso dos áudios vazados envolvendo a Sanepar. Nas gravações, assessores ligados ao grupo político de Guto afirmavam que “quem manda no Paraná é Guto Silva” e que seria dele a ordem para determinadas ações dentro da máquina estadual. À época, o episódio gerou enorme desgaste político, mas nunca desapareceu completamente da memória do Centro Cívico. Agora, com a nomeação de um aliado histórico em uma secretaria estratégica e a saída de um nome importante da Invest Paraná em meio ao conflito, a impressão que fica nos bastidores é que, mesmo sem o protagonismo público de antes, Guto Silva continua tendo poder suficiente para impor derrotas internas e influenciar diretamente decisões do governo.