Convênios turbinados

25/05/2026 17:51

Os números não mentem, mas também não explicam tudo. Pato Branco viu o volume de convênios com a Secretaria das Cidades saltar quase dez vezes sob a gestão de Guto Silva. Sai de pouco mais de R$ 10 milhões antes da posse e chega a mais de R$ 105 milhões depois. É um crescimento que, por si só, já pede lupa. A apuração é do portal Livre.jor, com base em dados disponíveis no Portal da Transparência do Governo do Paraná. Formalmente, não há irregularidade apontada. O próprio levantamento reconhece isso. Mas a ausência de ilegalidade comprovada não elimina o desconforto político de uma concentração tão expressiva de recursos em um único município, justamente quando o comando da pasta muda de mãos. O argumento técnico é conhecido: critérios, programas, demandas, trâmites administrativos. Tudo pode estar dentro da regra. O problema é que, quando o salto é dessa magnitude, a discussão deixa de ser apenas contábil e passa a ser de prioridade pública. Por que Pato Branco? Por que nesse volume? Por que nesse momento? São perguntas que não encontram resposta apenas em planilhas. Exigem transparência ativa, não só disponibilidade de dados. Porque, em política, às vezes o que está dentro da regra ainda precisa ser explicado fora dela.