Panqueca estragada
25/05/2026 17:28
Quando 80 estudantes passam mal depois de comer no restaurante universitário, o problema não é só a panqueca. É o que ela revela. A interdição do RU da UTFPR em Francisco Beltrão escancarou algo mais profundo do que um alimento com mau cheiro: falhas no básico, no processo, no controle.
A Vigilância Sanitária não encontrou apenas um erro pontual. Encontrou um ambiente com problemas de operacionalização e higienização, bandejas com recheio impróprio para consumo e um padrão que levanta dúvida sobre como aquilo chegou até o prato dos alunos. Não foi azar. Foi processo.
E aí começa o empurra-empurra clássico. A empresa terceirizada diz que está cumprindo as exigências e joga parte da responsabilidade para a universidade, citando os equipamentos de refrigeração. A instituição, por sua vez, aguarda laudos para entender se a falha foi na manipulação ou na origem da carne. No meio disso, estudantes passaram mal.
O ponto central não é descobrir apenas onde ocorreu a contaminação. É entender como um sistema que deveria garantir segurança alimentar permitiu que comida com aparência e odor de estragada fosse servida em larga escala, em dois turnos, para dezenas de pessoas.
Restaurante universitário não é detalhe administrativo. É política pública. Quando falha, não é só um contrato que dá problema. É a confiança de quem depende dele todos os dias para se alimentar.
Reabrir rápido resolve a fila. Não resolve o problema.