“Cadeiras ideológicas”
23/05/2026 11:34
Luciano Hang decidiu comprar briga com uma decisão que, no papel, parece simples: garantir o mínimo de conforto a quem passa o dia em pé vendendo.
A Justiça do Trabalho determinou que uma unidade da Havan, em Rondonópolis, ofereça cadeiras com encosto aos vendedores. Não é inovação, nem ruptura. É o básico da legislação trabalhista sendo cobrado via ação do Ministério Público do Trabalho. O tipo de medida que costuma passar longe de polêmicas — até virar discurso.
Hang preferiu enquadrar a decisão como “ideológica”. Disse nunca ter visto algo semelhante em concorrentes e levantou a tese de perseguição seletiva. É um movimento conhecido: deslocar o debate do mérito para o campo político, onde a discussão fica mais confortável e rende mais engajamento.
O ponto é que, nesse caso, o conflito não é sobre ideologia. É sobre condição de trabalho. A Justiça não mandou reinventar o varejo. Mandou colocar cadeiras.
Se há seletividade, cabe demonstrar. Se não há, o episódio vira mais um exemplo de como decisões judiciais básicas passam a ser tratadas como afronta quando atingem figuras que preferem transformar qualquer regra em disputa narrativa.
No fim, a conta é simples: ou se cumpre a legislação, ou se tenta disputar a versão. Hang escolheu o segundo caminho. Resta ver quanto tempo sustenta.