Microfone aberto, discurso fechado

23/05/2026 11:06

Na Câmara de Cuiabá, o vereador Rafael Ranali voltou a se explicar menos pelo que defende e mais pelo que escapa. Depois de já ter gerado repercussão recente com termos de baixo nível em plenário, agora foi um comentário ofensivo captado com o microfone aberto que o recolocou no centro da polêmica: chamou um parlamentar de “baitola”. Ao perceber que ainda estava sendo ouvido, interrompeu a fala. Tarde demais. Em ambiente público, especialmente no Legislativo, não existe margem para “foi sem querer”. O áudio vira registro, o registro vira cobrança. O episódio diz muito sobre o momento do debate político. Quando o bastidor revela mais do que o discurso oficial, o problema deixa de ser o erro técnico e passa a ser o conteúdo. Afinal, não foi o microfone que falou.