Paranaguá nunca tem um último caso
20/05/2026 11:17
Paranaguá segue frequentando o plenário do TRE-PR com uma assiduidade que já virou constrangimento institucional. Não é mais um caso aqui, outro ali. É uma sequência.
Na sessão mais recente, o tom escapou do jurídico e entrou no simbólico. Ao iniciar a defesa, o advogado Luiz Gustavo de Andrade tentou enquadrar o episódio como mais um entre tantos: “Excelentíssimo senhor presidente, excelentíssimos julgadores, mais um caso de Paranaguá, o último caso de Paranaguá, do vereador Fabio Santos”.
Não terminou a frase.
Foi interrompido pelo presidente do tribunal, desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, que cortou seco e, sem rodeio, cravou: “Paranaguá nunca tem um último caso”.
A frase não ficou no ar. Arrancou gargalhadas no plenário. Riso coletivo, espontâneo, daqueles que dispensam explicação.
Mas explica.
Porque o contexto pesa. Dias antes, o mesmo tribunal havia revertido a decisão que cassava o mandato do vereador Renan Britto, que havia sido condenado por suposta compra de votos. Voltou ao cargo. O caso mudou de direção, mas não de natureza.
Enquanto isso, outros processos seguem em julgamento. Outros nomes entram na pauta. Outros episódios se acumulam.
Depois que o plenário se recompôs, o advogado retomou a palavra, agora em outro tom: “Sorte nossa, né? Que estamos sempre aqui discutindo Paranaguá, uma terra de pessoas muito boas, senhor presidente”.
A ironia ficou evidente.
O problema é que, quando o próprio tribunal passa a rir da repetição, o debate deixa de ser apenas jurídico. Vira diagnóstico. Paranaguá não está mais no radar por um caso específico. Está no radar porque os casos não param.