Prioridades invertidas
19/05/2026 17:05
Enquanto posto de saúde segue sem remédio e a fila não anda, a Prefeitura de Foz decidiu destinar mais de R$ 1 milhão para eventos ao longo de 2026. Ninguém discute a importância da cultura, do turismo ou do esporte. A questão é outra.
Os números chamam atenção. São R$ 250 mil para festival de jazz, R$ 243 mil para evento de rock, R$ 100 mil para corrida, mais R$ 100 mil para evento de basquete, além de outros repasses menores. Tudo dentro da legalidade, mas nem tudo dentro da lógica.
O ponto mais sensível aparece na Meia Maratona das Cataratas. A inscrição custa cerca de R$ 389. Com aproximadamente 6 mil participantes, a arrecadação pode ultrapassar R$ 2,3 milhões. Ainda assim, o evento recebe mais R$ 100 mil de dinheiro público.
O debate que se impõe é direto. Até que ponto faz sentido financiar com recursos públicos eventos que já têm patrocínio, cobrança de inscrição e receita própria robusta.
Quando o básico não chega, cada investimento vira mensagem. E a mensagem que fica é de prioridades desalinhadas com a realidade de quem depende do serviço público no dia a dia.