Velho roteiro do poder
14/05/2026 17:23
Em política, coincidência demais costuma chamar de outra coisa. Em Foz do Iguaçu, a sequência é simples e incômoda. Primeiro, a revista homenageia a filha do prefeito como símbolo da “força da mulher”. Um mês depois, recebe R$ 250 mil da própria prefeitura.
No papel, tudo pode até caber dentro das regras. Na percepção pública, a história é outra.
O problema não é a homenagem em si. Nem o apoio a eventos culturais. O problema é a ordem dos fatos e o critério que ninguém consegue enxergar com clareza. Quando a régua parece flexível demais para alguns e dura demais para outros, o discurso institucional perde força.
Ainda mais quando, no mesmo cenário, projetos com impacto direto na comunidade, como o da APAE, ficam de fora por não atingir a nota mínima. A pergunta deixa de ser técnica e passa a ser política.
Quem define o mérito? Com base em quê?
O caso expõe um padrão conhecido. Relações próximas orbitando recursos públicos e decisões que, embora formalmente justificáveis, não resistem tão bem ao teste da transparência.
E é justamente aí que a coisa pega. Porque dinheiro público não precisa apenas ser bem aplicado. Precisa parecer bem aplicado.
Quando a sociedade começa a desconfiar da lógica por trás das escolhas, já não é mais só um problema administrativo. É um problema de credibilidade.