Relator com memória longa

14/05/2026 16:53

O sorteio caiu onde, em Brasília, muita gente já imaginava que poderia cair. Gilmar Mendes assume um caso que envolve Deltan Dallagnol, e isso por si só já antecipa o clima do julgamento antes mesmo de qualquer voto. Zeca Dirceu tenta no STF reverter a punição que recebeu na Justiça Eleitoral do Paraná após chamar Dallagnol de “criminoso” e sustentar sua inelegibilidade com base em um documento que, segundo o TRE-PR, tratava apenas de questões administrativas. A juíza entendeu que houve propaganda negativa com aparência de veracidade capaz de influenciar o eleitorado e aplicou multa. Agora o debate sobe de nível. Gilmar não é um observador distante da Lava Jato. É um dos seus críticos mais consistentes e, para muitos, uma voz que recolocou freios institucionais em uma operação que ultrapassou limites. Esse histórico não é detalhe, é parte do contexto. Do outro lado, Dallagnol chega com o desgaste de quem saiu do protagonismo judicial para o embate político acumulando controvérsias que vão além deste episódio. No papel, o processo trata de imunidade parlamentar, liberdade de expressão e dos limites da Justiça Eleitoral diante da desinformação. Na prática, discute até onde vai o direito de um parlamentar de tensionar o debate público sem distorcer fatos e quem tem a palavra final sobre essa linha. O sorteio foi aleatório. O significado político, nem tanto.