Voz e dinheiro

12/05/2026 14:25

A denúncia do Gaeco contra a vereadora Anice Gazzaoui caiu como uma bomba no já conhecido submundo da política municipal brasileira: o da “rachadinha”. Mas um detalhe da investigação chamou atenção de investigadores e operadores políticos em Foz do Iguaçu. Segundo o Ministério Público, os repasses eram feitos em dinheiro vivo, sem PIX, sem transferência bancária e, principalmente, sem conversa escrita. O canal preferencial seriam chamadas de voz no WhatsApp. Traduzindo do juridiquês para o português claro: a preocupação não parecia ser apenas arrecadar dinheiro de assessores. Era também evitar rastros. A denúncia descreve um método quase artesanal. Assessores, segundo o MP, devolveriam parte dos salários sob ameaça de exoneração. O dinheiro, ainda conforme a acusação, teria abastecido despesas pessoais e familiares, de supermercado a cosméticos. O Gaeco pediu condenação, devolução dos valores, suspensão dos direitos políticos e até perda do mandato. E há um componente simbólico difícil de ignorar: quando o Ministério Público fala em chamadas de voz para evitar provas, a investigação deixa de parecer apenas um caso de improbidade. Passa a ganhar contornos de operação montada para funcionar no escuro.