Cartório sob suspeita
09/05/2026 10:35
A denúncia do Ministério Público contra um escrivão e a esposa em Palmital expõe um tipo de investigação que costuma causar forte impacto justamente por atingir um dos espaços mais sensíveis da estrutura pública: o sistema de Justiça.
Segundo o MPPR, o casal é suspeito de realizar cobranças indevidas em um cartório da comarca ao longo de pelo menos 15 anos. A acusação aponta pagamentos supostamente feitos fora das tabelas oficiais de custas processuais, inclusive em ações com gratuidade judicial.
A investigação também menciona a manutenção de cobranças relacionadas a valores já prescritos. Os fatos levaram o Ministério Público a atribuir ao casal crimes como prevaricação, falsidade ideológica e excesso de exação.
Após o recebimento da denúncia, a Justiça determinou o afastamento dos dois das funções públicas por 180 dias. A decisão ainda proibiu acesso ao cartório sem autorização judicial e contato com testemunhas e servidores ligados ao caso.
O episódio chama atenção porque envolve justamente um setor cuja função depende diretamente de confiança pública, segurança jurídica e previsibilidade de procedimentos. Quando surgem suspeitas relacionadas à cobrança de taxas e custas, o impacto ultrapassa o caso individual e alcança a própria percepção de funcionamento do sistema.
Agora, a apuração seguirá na esfera judicial para definir se as irregularidades apontadas pelo Ministério Público efetivamente ocorreram e qual o alcance das responsabilidades atribuídas aos investigados.