Plantão eleitoral

09/05/2026 10:25

O Ministério Público abriu inquérito para investigar um vereador de Itapejara D’Oeste por suspeitas que, no serviço público brasileiro, já viraram quase um gênero administrativo próprio: pagamentos aparentemente incompatíveis com a realidade do expediente. Os documentos citados no caso chamam atenção pela criatividade burocrática. O servidor teria faltado ao trabalho para exercer o mandato parlamentar, mas ainda assim recebido integralmente adicional noturno e auxílio-alimentação. Como se o relógio de ponto tivesse desenvolvido vida própria. Tem mais. A investigação aponta 15 plantões noturnos fixos durante 16 meses seguidos, sem qualquer variação. Uma regularidade estatística que faria inveja até a máquina suíça. O controle desses plantões, segundo a apuração, era feito em bilhetes manuscritos, sem memorando formal. Outro detalhe curioso: alguns pagamentos teriam começado antes mesmo da existência do decreto que deveria justificá-los. Na prática, a verba parece ter nascido antes da própria regra. O valor sob suspeita ultrapassa R$ 25 mil. Não é exatamente um rombo bilionário. Mas casos assim costumam incomodar por outro motivo: ajudam a explicar como pequenas distorções administrativas acabam sendo naturalizadas até virarem rotina. Agora, com o caso transformado em inquérito civil, o Ministério Público terá de responder à pergunta que sempre ronda situações desse tipo: era apenas desorganização… ou alguém achou que ninguém iria conferir?