Ratinho tenta blindar a Copel

08/05/2026 16:31

A insistência do governador Ratinho Júnior em atuar nos bastidores para reduzir a temperatura da crise envolvendo a Copel vai além da simples defesa política de uma privatização desgastada. O Palácio Iguaçu sabe que a irritação popular com a conta de luz, com as reclamações sobre o serviço e com a percepção de distanciamento da companhia pode produzir efeitos difíceis de controlar. Mas há um detalhe que ajuda a explicar por que determinados movimentos de blindagem têm chamado atenção até mesmo entre figuras tradicionais da política paranaense. Nos bastidores, gente muito próxima do poder repete que a relação entre certos grupos e a nova estrutura da Copel seria mais profunda do que aparenta oficialmente. É justamente aí que mora o desconforto. Nas últimas semanas, interlocutores do governo intensificaram esforços para conter críticas, neutralizar desgaste e impedir que a Copel se transforme em símbolo político negativo permanente, em um clima de “a companhia está tentando resolver”. O curioso é que, para uma empresa oficialmente privatizada, o nível de preocupação observado em setores do entorno do governo parece ir além do mero debate administrativo ou regulatório. Em Curitiba, há quem diga que algumas conexões relevantes da nova Copel ainda estão longe de aparecer por inteiro. E, no centro dessa inquietação silenciosa, o que mais incomoda não é necessariamente o que já foi publicado. É o que começa a circular em voz baixa pelos corredores do poder.