Teto de vidro

07/05/2026 16:09

A apuração do Jornal Plural escancarou aquilo que o contribuinte já suspeitava ao abrir o holerite e depois olhar o contracheque do Judiciário: no Paraná, teve magistrado recebendo mais que o dobro do salário em 2025. Tudo dentro da lei, registre-se. Ou, pelo menos, dentro da sofisticada engenharia jurídica que transforma penduricalho em “verba indenizatória”, bônus em “vantagem eventual” e supersalário em mera consequência administrativa. O resultado prático é que o teto constitucional virou mais uma sugestão estética do que propriamente um limite. O STF até decidiu restringir parte desses pagamentos e autorizou um adicional de até 35% acima do teto. Em alguns casos, porém, a conta pode chegar a 70%. A criatividade remuneratória no serviço público brasileiro continua sendo uma das poucas áreas realmente imunes à crise fiscal.