Bons amigos

06/05/2026 15:36

Tem algo de muito errado quando um tenente-coronel da Polícia Militar é preso tentando atravessar a Ponte da Amizade com uma carga milionária de medicamentos sem autorização e deixa a cadeia poucas horas depois mediante uma fiança de R$ 30 mil. Mais errado ainda é perceber a desproporção entre o valor da carga apreendida e o custo da liberdade provisória. O caso envolvendo o oficial da PM de Rondônia Davi Machado de Alencar chama atenção não apenas pela apreensão de centenas de ampolas de tirzepatida e até de uma substância sem aprovação regulatória, mas pelo simbolismo da cena. Um oficial de alta patente, alguém que deveria representar a autoridade do Estado, acaba no centro de uma ocorrência típica das engrenagens paralelas que há anos transformaram a fronteira em território fértil para negócios obscuros. A mensagem que fica é perigosa. Para o cidadão comum, sobra a sensação de que há dois pesos e duas medidas. Afinal, quando o uniforme entra na equação, parece que a fronteira entre crime, constrangimento e punição fica estranhamente flexível. E a Ponte da Amizade, mais uma vez, continua fazendo jus ao nome. Pena que nem sempre da maneira correta.