Alvaro defende união
05/05/2026 16:33
Alvaro Dias resolveu abrir a caixa de ferramentas da política paranaense e tirou de lá uma velha conhecida: a tese da união pelo pragmatismo. Em entrevista, acenou ao grupo de Ratinho Junior e sugeriu algo que, no papel, parece racional e na prática costuma ser indigesto para quem sonha com voo solo: submeter os pré-candidatos a pesquisas e, a partir daí, escolher um nome único.
A ideia é simples. Quem estiver melhor nas sondagens leva, os demais embarcam. O problema é outro. Política não é laboratório e pesquisa não resolve tudo, especialmente quando envolve egos consolidados, estruturas partidárias e projetos pessoais que já estão em curso. Alvaro sabe disso, mas também sabe que, fora de uma composição, o risco é o isolamento.
Ao citar Rafael Greca, Alexandre Curi, Guto Silva e Sandro Alex como peças desse possível arranjo, ele não apenas amplia a mesa, como eleva o grau de complexidade. São nomes com densidade própria, interesses distintos e, em alguns casos, trajetórias que não convergem naturalmente. A tal coalizão organizada, com critérios objetivos, depende menos da metodologia e mais da disposição real de abrir mão.
Quando fala em definição até junho, Alvaro tenta impor calendário a um processo que costuma escapar do relógio. A pressa, nesse caso, tem motivo. Quem não se encaixa cedo corre o risco de ficar sem espaço depois.
No fundo, o movimento revela mais sobre o momento político do que sobre a solução proposta. Ninguém quer ficar de fora do grupo do governador, mas ninguém quer entrar sem protagonismo. Entre o discurso da unidade e a prática da disputa, o Paraná segue fazendo o que sempre fez melhor: negociar até o limite.