Confiança seletiva
04/05/2026 13:54
O milagre da ascensão meteórica no serviço público do Paraná parece dispensar currículo, tempo de estrada e, em alguns casos, até constrangimento. Há uma espécie de atalho invisível que transforma trajetórias curtas em cargos longos, salários robustos e poder de decisão.
Enquanto profissionais acumulam anos de estudo, especializações e experiência prática e ainda assim enfrentam a fila, surgem jovens talentos que, quase como num passe de mágica, saem de formações discretas e passagens relâmpago por pequenas empresas direto para cadeiras estratégicas dentro do Estado. Tudo isso sob a respeitável chancela do cargo de confiança.
Confiança, aliás, é a palavra-chave. Mas confiança de quê, exatamente. Técnica, difícil sustentar. Popular, menos ainda. A impressão que fica é que se trata de uma confiança bem localizada, com nome, sobrenome e, muitas vezes, endereço político.
A Gazeta do Paraná tem acompanhado alguns desses casos com atenção. Não por implicância, mas por curiosidade legítima. Afinal, estamos diante de quadros técnicos de excelência incompreendida ou de um modelo cada vez mais escancarado de apadrinhamento.
No fim das contas, a pergunta que permanece é simples e incômoda. Essas pessoas ocupam funções técnicas ou apenas cumprem uma função política. E, mais importante, quem paga essa conta já foi consultado sobre em quem, de fato, confia.