Entre o silêncio e o recado

04/05/2026 13:40

Quando Guto Silva escreve em suas redes sociais sobre “silêncio fértil” e “tempo de esperar”, não é poesia desinteressada. É política em estado bruto, só que cifrada. Porque o contexto não deixa muito espaço para ingenuidade. Até pouco tempo, Guto era tratado como o nome natural dentro do grupo. Circulava como opção viável, com trânsito e expectativa real. De repente, o jogo vira: Sandro Alex é lançado, aparece no vídeo, ocupa o espaço simbólico do anúncio. Alexandre Curi, outro cotado, também está lá. Guto, não. Nem imagem, nem menção, nem gesto. E na política, ausência fala alto. A sequência reforça o enredo. Some de agendas mais visíveis, não aparece no aniversário do governador, deixa de ser citado como peça central nas entregas. Some também das redes, e quando volta, já é outro enquadramento: doutorado, família, deslocamento de foco. Quase um reposicionamento público, como quem reorganiza a própria biografia depois de um choque. E houve choque. Não só pelo movimento interno do grupo, mas pelo desgaste acumulado. Denúncias, ruído político, resistência dentro do próprio Palácio do Iguaçu. Guto não conseguiu consolidar o nome nas pesquisas. Mas o detalhe que incomoda, e que o post parece tocar sem dizer, é que quem entrou também não decolou. É aí que o texto ganha sentido. Quando ele fala em “projetos que não têm pressa” e em “coragem quieta”, não parece despedida. Parece contenção. Uma forma de dizer que o projeto não morreu, só saiu de cena. Que não é o fim, é intervalo. Na tradução possível: perdeu o timing, não necessariamente o jogo. Porque, no fundo, o post não é sobre esperar. É sobre sobreviver politicamente ao momento em que deixaram de esperar por você.