Penduricalho relâmpago
02/05/2026 11:52
Durou pouco a criatividade do Tribunal de Justiça do Paraná. A proposta previa pagar até R$ 27 mil por mês a juízes e desembargadores para “ensinar” estagiários. Um bônus generoso para uma atividade que já integra, por natureza, o funcionamento dos gabinetes.
O problema apareceu quando a ideia saiu do circuito interno. No Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes reagiu em público e expôs o desconforto. Disse, em outras palavras, que surgem novas verbas com frequência preocupante, como se sempre houvesse espaço para ampliar remunerações.
O TJPR tentou dar contorno técnico à medida, com cargos de magistrado tutor, supervisor e formador. Mas a leitura fora dos autos foi imediata. Mais uma gratificação em um sistema que já acumula adicionais.
O recuo veio rápido, na mesma velocidade em que a repercussão cresceu. E isso diz bastante. Quando o excesso fica evidente, o constrangimento funciona como freio. Nem sempre impede a tentativa, mas, desta vez, foi suficiente para barrar a execução.