Cabo de guerra

01/05/2026 10:14

Tem gente falando alto demais para ser apenas ruído de bastidor. Quando o recado sai em público, é porque a disputa já escapou do controle. O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, entrou numa encruzilhada política que expõe um racha dentro do próprio grupo. De um lado, o secretário Sandro Alex, nome do PSD para 2026, que resolveu subir o tom e marcar território. De outro, Rafael Greca, padrinho político de Pimentel, agora no MDB e igualmente interessado no Palácio Iguaçu. A fala de Sandro Alex não foi protocolar. Teve endereço e intenção. Foi um movimento de pressão para enquadrar o prefeito dentro da estratégia partidária. E isso muda o jogo. Pimentel passa a ser peça-chave numa disputa que ainda nem começou oficialmente. Se acompanha o partido, se alinha ao projeto de poder. Se mantém fidelidade a Greca, preserva a trajetória que o levou até aqui. Em qualquer cenário, alguém fica pelo caminho. O problema é que esse tipo de conflito raramente fica restrito à política. Quando aliados começam a se enfrentar, a gestão tende a pagar a conta. E Curitiba corre o risco de virar apenas pano de fundo de uma guerra que, no fim, não é sobre a cidade, mas sobre 2026.