Denúncia na TV Pública
01/05/2026 10:08
Tem coisa aí que não fecha. E, quando não fecha, costuma esconder problema maior.
Um post publicado por Valdir Cruz escancara um ambiente descrito como tóxico dentro da TV Paraná Turismo, com acusações diretas de assédio moral, desrespeito a entrevistados e uma rotina de reuniões marcadas por xingamentos e desqualificação interna. Não é pouca coisa. É denúncia grave, com narrativa detalhada e até referência a documento que, segundo o autor, comprovaria o comportamento da chefia.
O alvo central é a diretora de Jornalismo, Giselle Lima. O texto resgata histórico anterior, cita relatos de passagem pela Rede Massa e aponta repetição de práticas que incluem perseguição, sobrecarga e decisões baseadas em indicação pessoal, não em critério técnico. A coordenação também entra no pacote, acusada de registrar ofensas por escrito durante reuniões de pauta.
Se metade disso for verdade, não é crise de gestão. É problema institucional.
E aí entra o ponto político. O questionamento direto ao secretário de Comunicação, Cleber Mata, não é retórico. Ele coloca a responsabilidade no colo do governo Ratinho Júnior. Porque uma emissora pública não pode operar como se fosse território sem regra, muito menos quando há relato de adoecimento de profissionais e deterioração do ambiente de trabalho.
Outro detalhe chama atenção. O espaço foi oferecido à diretora citada, que não respondeu até o momento da publicação. Isso mantém a denúncia em aberto, mas não a esvazia. Pelo contrário. Aumenta a pressão por resposta oficial.
No fim, o caso expõe um dilema clássico de comunicação pública. Quando a redação vira problema, o conteúdo perde credibilidade. E quando a denúncia vem de dentro, ignorar não resolve. Só empurra.
Agora é com o governo. Ou esclarece, ou assume o desgaste.