Um olho no peixe, outro no gato
30/04/2026 17:04
Na política, cargo às vezes é ponto de passagem. Não de chegada.
O vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins, já admite que pode disputar uma vaga de deputado federal em outubro. Se eleito, renuncia ao cargo que acabou de conquistar na chapa com Eduardo Pimentel. É o tipo de movimento que diz muito sobre como o jogo é jogado.
Martins não é um novato. Já passou pela Câmara, construiu nome como comentarista e se firmou como um dos quadros mais visíveis do Novo no Paraná. Agora, testa de novo o terreno federal, mesmo ocupando uma função executiva recém-assumida.
A leitura é direta. Brasília ainda pesa mais.
Para a Prefeitura, fica o efeito colateral. Um vice eleito para compor gestão pode virar peça de reposição antes mesmo de consolidar o mandato. Para o eleitor, sobra a sensação de que o voto nem sempre acompanha o destino político de quem foi escolhido.
E, no pano de fundo, aparece a lógica que move boa parte da política brasileira. Mandato não é compromisso de permanência. É ativo em circulação.
Se der certo nas urnas, Curitiba perde um vice. Se não der, o cargo segue. Em qualquer cenário, quem decide o timing é o político. Não o mandato.