Jogando o jogo
30/04/2026 17:03
No Senado, ninguém perde sozinho. E ninguém ganha de graça.
A articulação que resultou na derrota da indicação de Lula ao Supremo não nasceu de um rompante ideológico. Foi negociação. Direita e Centrão operaram com um objetivo claro: garantir a recondução de Davi Alcolumbre ao comando da Casa por mais dois anos.
O movimento revela o que de fato pesa no Congresso. Não é o discurso. É a troca. Apoio por espaço, votos por permanência, poder por estabilidade.
Alcolumbre já vinha funcionando como um anteparo a iniciativas mais sensíveis, especialmente quando o assunto envolve o Supremo. Segurou pedidos, administrou pressões e construiu uma posição confortável no tabuleiro. Mas o episódio recente mostra que essa posição não é gratuita. Ela precisa ser renovada.
E foi. Com juros.
A direita e o centro-direita já operam com maioria no Senado e miram ampliar esse domínio. Controlar a Casa significa controlar a pauta, inclusive temas que podem atingir diretamente ministros do STF. É um poder que vale muito mais do que uma indicação isolada.
Lula entrou nessa equação apoiando a recondução de Alcolumbre. Apostou na governabilidade. Recebeu como resposta um recado claro de que, no Congresso, apoio não é alinhamento automático.
No fim, o que se viu foi a política em estado bruto. Um presidente tentando avançar. Um Senado reafirmando quem dá as cartas. E um comando que se fortalece justamente por saber distribuir o jogo.