Se a licitação não “fecha”…

30/04/2026 17:02

Tem coisa aí que não fecha. E quando não fecha em licitação, costuma abrir um problema maior. O Ministério Público do Paraná acionou a Justiça contra duas empresas por suspeita de fraude em um pregão da Prefeitura de Quatro Barras. O prejuízo apontado é de R$ 132 mil. Não é o maior valor do noticiário recente, mas o método chama atenção. A investigação indica que a licitação de 2019, para compra de um caminhão e um semirreboque de coleta de resíduos, teria sido vencida por uma empresa de fachada. Essa empresa, segundo o MP, repassou cerca de 95% do valor recebido para a fabricante real do equipamento. E aqui está o ponto central: a fabricante estava impedida de contratar com o poder público por pendências fiscais. Ou seja, quem não podia entrar no jogo teria participado por meio de um intermediário. Esse tipo de operação não nasce por acaso. Exige organização, conhecimento das regras e, principalmente, brechas abertas ou toleradas ao longo do processo. O Ministério Público não costuma avançar com ação civil pública sem ter elementos consistentes. Fica a pergunta que interessa de fato. Quem deixou isso passar dentro da administração municipal? Quem assinou, quem validou, quem acompanhou a execução? Porque fraude em licitação não acontece isoladamente. Ela percorre setores, atravessa decisões e se sustenta, muitas vezes, na ausência de controle. No fim, o prejuízo não é só o valor apontado na ação. É a confiança no processo público que volta a ser colocada em xeque.