O que guarda a pesquisa?

23/04/2026 16:59

Há um detalhe que costuma escapar na cobertura apressada: nem toda pesquisa serve para medir força — algumas servem para expor fragilidade. E, no caso de Sandro Alex, o cenário que antecede a divulgação dos números não é exatamente animador. Não há, nos bastidores, grande expectativa de desempenho robusto. E isso não é fruto de torcida adversária, mas de diagnóstico político. O deputado entra na disputa com um problema clássico de quem é alçado por articulação de cima para baixo: falta capilaridade real. Parte da base não embarcou com entusiasmo, o que, em política, costuma ser meio caminho andado para dificuldades na largada. Some-se a isso o fator mais elementar de todos: desconhecimento. Fora de círculos mais politizados, o nome de Sandro Alex ainda não dialoga com a maioria do eleitorado paranaense. E eleição majoritária não perdoa esse tipo de déficit. Não basta existir politicamente — é preciso ser reconhecido. Como se não bastasse, há um elemento de desgaste que não pode ser ignorado. A associação com o pedágio, tema historicamente sensível e de alta rejeição no Paraná, funciona como âncora negativa. Não é um detalhe de campanha; é um passivo que exige enfrentamento direto. Fingir que não existe costuma custar caro. Nesse contexto, as pesquisas que serão divulgadas deixam de ser mera formalidade e passam a ter caráter quase definidor. Não se trata apenas de medir desempenho, mas de testar viabilidade. Se os números vierem fracos, o discurso precisará ser recalibrado rapidamente — ou o projeto corre o risco de se esvaziar antes mesmo de ganhar corpo. Política é construção, mas também é percepção. E, até aqui, Sandro Alex entra na disputa com mais interrogações do que certezas.