No PIX
23/04/2026 16:53
A operação que expôs um esquema dentro da Cadeia Pública de Pato Branco é mais um desses retratos incômodos de um sistema que, por vezes, parece funcionar de dentro para fora — e não o contrário.
Segundo a Polícia Civil, terceirizados cobravam até R$ 10 mil via Pix de presos para liberar a entrada de celulares nas celas. Não estamos falando de um desvio pontual, mas de uma engrenagem que envolve quem deveria zelar pela ordem, quem está sob custódia do Estado e, ao que tudo indica, até familiares. Uma cadeia de ilegalidades que desafia qualquer noção básica de controle institucional.
O principal suspeito está foragido. Ora, vejam: num esquema que operava dentro de um ambiente supostamente controlado, alguém consegue desaparecer. Isso diz mais do que qualquer relatório técnico.
Foram cumpridos quatro mandados de prisão e 21 de busca e apreensão. Em uma única frente, 43 celulares foram recolhidos. Quarenta e três. Não é exatamente o tipo de número que se esconde no bolso. É o tipo de número que grita.
E aqui cabe a pergunta incômoda, mas necessária: isso funcionava sem que ninguém percebesse? Ou pior — funcionava porque havia quem preferisse não ver?
Os envolvidos podem responder por corrupção ativa e passiva, associação criminosa e facilitação de entrada de aparelhos. No papel, tudo muito correto. Na prática, resta saber se o sistema que permitiu o esquema tem disposição para corrigir a si mesmo.