Falso secretário

22/04/2026 15:00

No Paraná, a criatividade do estelionatário resolveu subir de cargo — e sem concurso. Um homem passou a se apresentar como secretário do Governo do Estado, com direito a documentos falsificados, discurso alinhado e a autoridade de quem fala em nome do poder. Não era. Mas parecia suficiente para convencer. A engrenagem, segundo a Polícia Civil, funcionava na base da encenação. A falsa posição abria portas, reduzia desconfianças e criava um ambiente em que pedidos e promessas ganhavam outro peso. Não se tratava apenas de uma mentira isolada, mas de uma estratégia pensada: vestir o cargo para acessar vítimas e facilitar vantagens indevidas. Agora, a investigação tenta dimensionar o alcance do esquema. Quantas pessoas foram abordadas, quantas cederam, quanto dinheiro circulou. Além do estelionato, entram na conta falsificação de documentos e usurpação de função pública — crimes que, juntos, mostram que não foi improviso, foi método. O caso também escancara um ponto sensível: a força simbólica do cargo público. Quando alguém consegue aplicar golpes apenas dizendo que é “do governo”, o problema não está só no golpista, mas no quanto esse tipo de autoridade ainda funciona como atalho para confiança automática. No fim, o roteiro é velho, mas a embalagem é sofisticada. E, no Paraná, pelo visto, tem gente que tentou governar — ao menos na base do golpe.