Comissionados na berlinda

20/04/2026 23:49

Quando a Justiça dá 72 horas, não é convite para conversa — é contagem regressiva. E a Câmara de Maringá entrou nesse relógio depois da criação de 25 cargos comissionados que acenderam o alerta do Ministério Público. O ponto central não é só o número de cargos, mas o tamanho da fatia que eles passaram a ocupar: segundo o MP, os comissionados chegaram a 64% da estrutura administrativa. Em bom português, mais cargo de confiança do que servidor de carreira. É aí que o sinal amarelo vira vermelho. Tem mais. A ação também questiona a própria formalidade do processo, com a ausência de assinatura de um integrante da Mesa Diretora no projeto de lei. Pode parecer detalhe, mas em política administrativa, detalhe costuma ser a porta de entrada para problema maior. A presidência da Câmara diz que seguiu o modelo de anos anteriores. Esse argumento, que já virou clássico, costuma funcionar até o momento em que alguém resolve olhar de perto. E, dessa vez, olharam. Agora, o roteiro é conhecido. O Legislativo tenta justificar, o Ministério Público insiste nas irregularidades e a Justiça decide se foi excesso, vício ou prática institucionalizada. O fato é que, quando a estrutura cresce desse jeito, a dúvida deixa de ser técnica e passa a ser política. E aí, não tem cargo que sustente a explicação.