“Violência de gênero” na UEM
20/04/2026 23:46
Universidade não costuma expor suas rachaduras em praça pública. Quando expõe, é porque o problema já não cabe mais dentro das paredes. E foi exatamente isso que aconteceu na Universidade Estadual de Maringá (UEM).
A vice-reitora, professora Gisele Mendes, resolveu romper o protocolo e falar abertamente em “ruptura na gestão da reitoria”. Não é expressão leve. E veio acompanhada de algo ainda mais sensível: a denúncia de possíveis episódios de violência política de gênero dentro da própria instituição.
O conteúdo do relato chama atenção menos pelo tom e mais pelos exemplos. Convites institucionais que antes eram assinados em conjunto e passaram a sair apenas com o nome do reitor. Participação da vice-reitoria que, segundo ela, deixou de aparecer em materiais oficiais. Pequenos sinais, que, somados, desenham um processo de esvaziamento político.
Gisele não é figura recém-chegada. Está há mais de três anos no cargo e há mais de duas décadas na universidade. Quando alguém com esse tempo de casa fala em agravamento progressivo, o alerta não é trivial.
No fim, o caso revela uma disputa que vai além de cargos. É sobre espaço, visibilidade e poder dentro de uma estrutura que, em tese, deveria funcionar de forma colegiada. Quando esse equilíbrio se rompe, o conflito deixa de ser administrativo e passa a ser institucional. E, pelo visto, já chegou nesse ponto.