Sucessão em suspenso
20/04/2026 16:03
A fala de Cantini, no Microfone Aberto desta segunda-feira, não pode ser lida como comentário solto de bastidor. Ele não é um observador qualquer, é, historicamente, um porta-voz informal de humores e movimentos do entorno de Ratinho Júnior. Quando fala, dificilmente erra o alvo. E, mais importante, raramente antecipa algo que desagrade o Palácio.
Por isso, o que ele descreve não é instabilidade por acaso. É método.
Ao reconhecer publicamente a falta de “vontade” da base em defender Sandro Alex, Cantini abre espaço para relativizar uma escolha que, em tese, já estaria definida. A candidatura segue de pé, mas passa a ser tratada como condicionada, dependente de pesquisa, de ambiente e, sobretudo, de adesão política. Traduzindo: não está garantida.
Nesse contexto, ganha força a leitura de que o lançamento foi menos uma definição e mais um movimento tático. Um balão de ensaio que serviu para reorganizar o jogo interno e, principalmente, tirar Guto Silva do centro imediato da disputa. Não elimina seu nome, mas o reposiciona.
O ponto mais revelador, porém, é o tempo. Ao defender que o governador pode esperar, ouvir pesquisas e só então unificar a base, Cantini legitima uma estratégia de protelação. Não há pressa em fechar questão, há interesse em manter todos sob controle até o limite das convenções.
E é aí que entra Rafael Greca. Quando Cantini admite que, com Greca no páreo, ele vai ao segundo turno, o recado é direto: há um risco real fora do script. Manter o cenário indefinido também serve para isso, testar, desgastar ou, no limite, negociar uma desistência.
No fim, o desenho é claro. Ratinho não cravou sucessor. Criou um campo de possibilidades sob sua tutela. O nome pode ser Sandro Alex, pode não ser. O essencial, por ora, não é a escolha, é o controle do processo.